São Paulo reencontra torcida após festa, protestos e até ataque a ônibus durante pandemia

Período sem público não impediu contato direto com os atletas, para o bem e para o mal

Passados mais de 500 dias, o Morumbi volta a receber público nesta quinta-feira, no clássico entre São Paulo e Santos, às 18h30 (de Brasília), pelo Brasileirão. No período de ausência desde o dia seguinte à marcante vitória por 3 a 0 sobre a LDU, a relação entre time e torcida ganhou capítulos fora do estádio, misturando momentos de apoio com outros terríveis e até indefensáveis.

Jovens como Rodrigo Nestor e Welington, além de experientes como Luciano, vão atuar pela primeira vez com público no estádio, assim como o técnico Hernán Crespo, hoje pressionado no cargo. O máximo de contato com os torcedores ocorreu depois do maior acontecimento do clube nos últimos anos: a conquista do Paulistão.

Centenas foram à porta do Morumbi e comemoraram o título sobre o Palmeiras com os jogadores, que chegaram a passar o portão principal do estádio para levar a taça na direção dos são-paulinos e são-paulinas presentes no local.

Tal festa, assim como a promovida pelos torcedores depois da classificação sobre o Flamengo, nas quartas de final da Copa do Brasil de 2020, anima quem ainda não viveu essa experiência de ter o apoio em campo como jogador do time.

É imensa a expectativa, estou ficando nervoso desde já (risos), porque nunca joguei com torcida no profissional no Morumbi. Joguei uma vez, contra o Botafogo-SP em Ribeirão Preto. Estou louco para levar minha família para me ver entrando em campo, jogando. Estou ansioso demais – destacou Rodrigo Nestor.

O meio-campista estava no último jogo com público no Morumbi, em 11 de março de 2020. Na vitória por 3 a 0 contra a LDU, pela Libertadores, Nestor permaneceu todo o jogo no banco de reservas. Portanto, contra o Santos, será a primeira experiência com a bola nos pés e dentro do gramado.

– Todo mundo tem saudade do Morumbi com público, conversamos sobre isso. Tem jogador que nunca jogou aqui com torcida. O Luciano, por exemplo, está há um ano e pouco aqui e nunca jogou com torcida. Tomara que tudo volte ao normal logo para a gente ter o Morumbi lotado, porque precisamos deles (torcedores) – destacou o camisa 25.

Lado ruim da força
A lembrança doce da comemoração com aglomeração do título do Paulistão contrasta com protestos enfrentados, como no caso de agressão ao elenco no fim do Brasileirão passado.

Quando o São Paulo perdeu a liderança da Série A, após ser goleado pelo Internacional, um grupo de torcedores atirou pedras e objetos no ônibus com a delegação que ia para o estádio.

A emboscada violenta assustou, quase feriu jogadores e causou a maior crise do período pandêmico.

O ato violento simbolizou a deterioração da relação entre grupos organizados e o São Paulo. Antes do ataque, os protestos se concentraram em manifestações no CT da Barra Funda e também na frente do Morumbi.

Em janeiro, torcedores pediram a saída do técnico Fernando Diniz e do então dirigente Raí no momento de queda do time no Brasileirão. O São Paulo chegou a ter sete pontos de vantagem na liderança, mas não sustentou a primeira colocação.

Um dos grandes alvos desta manifestação foi Daniel Alves. Torcedores questionaram o então camisa 10 por uma análise de queda de desempenho e a divulgação de um vídeo tocando instrumentos de percussão, enquanto se recuperava de lesão no braço.

Por Eduardo Rodrigues, Felipe Ruiz e José Edgar de Matos, GE São Paulo

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